30.11.09

toda vez

o teu sorriso
meio de lado
impreciso
abre-se luz
de repente
feitiço
absorve o fim
e faz dele
início
e ainda assim
eu sei
é muito mais
que isso.

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27.10.09

quando nasci não tive escolha
eu era minha única opção
não pude ser outra pessoa
não pude me dizer "não"

nem pude me dizer "sim"
pois não se responde à imposição
aceita-se como é até o fim
como um pecado que não tem perdão

ser eu me consome todo meu tempo
até quando penso só em você

porque é você pensada por mim
é eu mesmo sem ao menos querer.

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14.10.09

domingo

passa pela varanda
uma folha em disparada:
é o vento brincando
de pique-pega com ela
e não consegue nada.

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2.10.09

suicida

lá vai a palavra
na ponta da língua
não sabe se vai
ou ainda se fica
eu fico embaixo
torcendo, fazendo figa
gritando bem alto:
pula, se precipita!

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3.9.09

ai

quando uma palavra
persegue o poeta
sem deixá-lo em paz
é como uma clava
que inquieta
bate e pede +

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27.8.09

um convite no muro

às vezes me comovo
com coisas simples.
há dias que me pego
observando o buraco
que um muro dedicado
vem guardando.
me pego espiando
o que se passa
pelo buraco.
mas do outro lado do muro
vejo apenas um poema
meio nebuloso e confuso
que igualmente comovido
se pega espiando
um cara esquisito e difuso
que não sabe o que dizer
— nunca soube.

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17.8.09

há quem evite o "oi" com medo do "tchau".

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